Quando bate a carência...


Era mais um dia normal no grupo de teatro da Universidade Federal Artes Cênicas – UFAC. Alguns alunos já tinham ido para casa, mas um grupo específico continuava ensaiando para a peça que apresentariam nas próximas semanas.
A professora de dramaturgia, e também reitora da instituição, estava de pé no corredor lateral da sala, ao lado da última fileira de cadeiras, recostada à parede com o script nas mãos, enquanto observava seus alunos. Estava incomodada com a cena e nada a agradava, decidindo, então, encerrar os ensaios.
Deu as costas e caminhou em direção à saída, enquanto isso, dois alunos, o casal da cena em questão, brincavam com alguns balões de gás hélio próximos aos disjuntores. Em um momento de distração, eles caíram um sobre o outro aos risos, sem perceberem que uma varinha de ferro caiu e acertou os disjuntores. O incidente gerou uma explosão, atraindo a atenção dos integrantes do elenco, assim como a da professora, que voltou correndo e se deparou com os culpados gargalhando, ainda um sobre o outro.
Ela não gostou nada daquela bagunça.
Ela não gostou de ver aquela cena.
O rapaz fazia cócegas na garota, fazendo-a gargalhar ainda mais não se importando com o barulho feito, porém, ao perceberem a cara de “poucos amigos” da mulher, ambos se levantaram e ajeitaram suas roupas. A aluna caminhou até sua amiga – que estava próxima à professora – para pegar suas coisas, e enquanto o fazia, Sara a abraçou por trás, fazendo carinhos em sua nuca com o nariz, deixando a reitora irritadíssima com tal gesto. Elena se virou e envolveu a amiga de frente, beijando-a no rosto.
— Que coisa bonita, hein?! Elena com “E”.  Dá curto circuito nos disjuntores e ainda faz graça?  Você não está em posição de fazer nada – disse ao se aproximar das duas jovens, ainda com a face fechada.
— Ora, Miranda com “G”, não feche a cara assim. Vai ficar marcada e você tem o rosto tão lindo – retrucou, deixando a mulher possessa de raiva.
— Miranda com “G”? – Sara perguntou confusa. — De onde saiu esse “G”?
— Nem ouse responder, Elena – repreendeu com os nervos à flor da pele. — Isso é palhaçada dela, Sara. Não consegue perceber? – Não dando mais tempo para questionamentos, ou qualquer conversinha, a professora prosseguiu: — Saiam logo daqui, porque eu tenho que trancar a sala e ir fazer um relatório sobre a explosão.  Andem!
Elena olhou para amiga e depois para a reitora, ponderando se ia ou não.
— Sara, pode ir com o pessoal que eu vou depois. Vou acompanhar a professora Miranda até a reitoria pra assinar um termo de responsabilidade – comunicou à amiga, que não ficou muito satisfeita.
— Mas Elena, você tinha combinado comigo de ir até o...
— Eu sei o que eu combinei com você, mas agora não vai dar. Até mais, Sara – terminou empurrando a amiga em direção à porta.
Antes de retornar, trancou a porta e pegou a chave, para, assim, ir até onde Miranda estava.
— Mas o que te deu hoje? Não fez uma cena decente e ainda explodiu os fios de energia – cruzou os braços ao tempo em que seu pé batia, contra o chão, repetidas e rápidas vezes.
— Não me deu nada hoje. Você que acordou com a cara pra Lua. Não gostou de nada hoje e ainda cancelou o ensaio, além do mau-humor terrível – disse e se aproximou da reitora. — Está com raiva por que eu explodi a caixa de luz lá atrás da cortina ou por que o Mateus estava flertando comigo? – Terminou a poucos centímetros da professora Ferreira.
— É claro que é por causa da bagunça! – Empinou o queixo e olhou para o lado contrário de Elena.
— Sei. Então por que ficou irritada quando a Sara me abraçou?
— E quem disse que eu fiquei? – Arqueou a sobrancelha, desafiando a mais jovem.
— Essa sua carinha de irritadinha, mas tem um problema, Mirandazinha, você rompeu qualquer compromisso que tínhamos depois que engravidou. Porque quando ele não te olhava, era pros meus braços que você corria.
— Já disse pra não tocar nesse assunto aqui – rosnou para a aluna, deixando o rosto bem próximo ao de Elena.
— E por que não? – segurou a mulher pelo braço e a empurrou contra a parede, roçando seu nariz ao de Miranda.
— Porque eu quero você bem... – olhou para a boca da garota, respirou fundo e voltou a falar: —... Bem longe de mim – apoiou as mãos sobre o peito da senhorita Soares e a distanciou um pouco.
— Okay. Vou ir me encontrar com a Sara, afinal, ela sabe aproveitar o que tem.
Afastou-se da reitora e virou em direção à saída, contudo, sentiu uma das mãos da professora Ferreira agarrarem seu braço e a puxarem.
— Como ousa dar as costas para mim e ainda dizer uma merda dessas? – Agarrou a jovem pela gola e a puxou mais para si.
— Da mesma forma que você me deu um pé-na-bunda sem nem pensar no que eu sentia.
— Sentia, Elena com “E”? Não sente mais? – deslizou a mão esquerda pela cintura da moça, mordendo o lábio ao fitar os olhos claros da aluna.
— Pra minha infelicidade, ainda sinto – segurou a professora pela cintura com as duas mãos e a apertou contra a parede. — Seu “G” nunca irá sumir, Miranda.
— Ainda insiste com essa palhaçada de “G”?
— Claro, “G” de gostosa – disse e mordeu o lábio da professora, sentindo a mulher erguer a perna para puxá-la para ela. — Isso tudo é saudade?
— Cala a boca, Elena, que agora eu vou te mostrar o que uma mulher pode fazer, diferente daquela ridícula da Sara. – Dito isso, jogou, agora, Elena contra a parede, pondo-se a esfregar seu corpo ao da mais jovem, enquanto seu joelho pressionava sua intimidade por entre as pernas.
— Que fogo é esse, Miranda? Você é sempre tão contida, tão calma... – deslizava as mãos pelo corpo da professora — Sempre querendo amorzinho.
A professora segurou a garota pela gola e a puxou para si, deixando sua boca próxima a de Elena.
— Mas dessa vez eu não quero amor. – Resvalou o polegar sobre os lábios da discente, penetrando-o na boca da aluna. — Quero que você me foda. Que me foda bem gostoso.
A menina sentiu as pernas tremerem e sua vulva ficar molhada, ao tempo que um, manhoso, gemido escapou por seus lábios.
— Como quiser – respondeu e sugou o dedo da mulher.
Agarrou a mulher pela cintura e a ergueu, levando-a até a uma mesa e a sentou. Com a mão esquerda, desceu o fecho do vestido da mulher e o abaixou até a cintura em seguida. Enfiou a mão nos cabelos da professora e devorou seu pescoço com mordidas e chupões.
— Elena, assim ele vai ficar roxo – resmungou gemendo.
— Sh! Eu ‘tô pouco me ferrando pro que seu marido vai achar ou ver quando você chegar a sua casa. Eu só quero te dar o melhor orgasmo da sua vida e deixar claro, que mesmo com ele, você é minha.
Voltou a chupar e morder o pescoço de Miranda, enquanto sua mão se enfiava por dentro do sutiã vermelho-escuro da docente. A reitora não conseguia fazer outra coisa, a não ser gemer e se remexer nos braços da aluna. Elena desceu os beijos pelo colo da mulher e, ao retirar seu sutiã, abocanhou seu mamilo castanho.
Mordia, lambia e chupava. Tudo que ela gostava de fazer.
Tudo que Miranda gostava de receber.
Sua mão direita, sorrateira, enfiou-se na saia do vestido e foi o subindo até que o quadril da professora estivesse de fora e ela pudesse ver aquela calcinha rendada, também vermelha, no entanto, translúcida em alguns pontos. Ela, Elena, empurrou sua tentação sobre a mesa a fim de deita-la, mas a mulher puxou-a consigo para falar:
— Não vai me beijar ou pensa que eu sou uma dessas vadiazinhas que você se atraca?
— Quem quer beijo faz amorzinho. Foder é coisa de vadia, gostosa – riu da cara de frustração da professora, mas sabia que ela não deixaria barato.
— Ah, é? Posso te mostrar que puta também beija e beija ainda mais gostoso.
Agarrou a mais nova pelo cabelo e inclinou sua cabeça, deixando o pescoço exposto. Cravou os dentes, lambeu e mordeu, subindo até tocar o lóbulo da orelha da outra mulher. Enfiou a língua, cerrou os dentes e puxou, chupando-a. Quando percebeu que a menina iria questionar, penetrou sua língua na boca de Elena e a puxou pela nuca.
A garota agarrou a mulher pelo quadril e retribuiu o beijo, quase engolindo os lábios da professora de teatro devido a sua excitação.
Rompeu o beijo e empurrou Miranda contra a mesa, deixando-a deitada. Saiu de cima do móvel e a puxou para mais perto, de modo que seu rosto ficasse próximo ao sexo da mais velha. Inalou o cheiro que tanto amava e passou a língua sobre a calcinha vermelha, vendo os pelos da professora se arrepiarem ao seu toque.
Não querendo se prolongar mais por estar extremamente excitada e por medo de alguém voltar e flagrá-las, Elena rasgou a calcinha da reitora e começou a lambê-la do jeito que a mais velha gostava; devagar, explorando tudo, como se beijos, prolongados e demorados, fossem depositados em sua vulva e enaltecessem seu clitóris.
Os gemidos das duas começavam a ecoar um pouco mais alto, deixando-as ainda mais excitadas; carregadas de tesão que, há muito, reprimiam. Elena apertava as coxas de Miranda enquanto a fazia gozar pela primeira vez, em sua boca. Já Miranda, enlaçou suas pernas na cabeça de Elena, forçando-a a não parar.
Ficou de pé e, mais uma vez, pela cintura, trouxe a professora para si e a beijou, penetrando seus dedos, finos e compridos, na vagina molhada da reitora, sentido a mulher envolver sua cintura com as pernas.
A mais velha se remexia e gemia ao ouvido da aluna, sentindo suas pernas tremerem de tesão, ao passo que os dedos de Elena entrava e saíam devagar e o polegar da garota pressionava seu clitóris.
A mulher, apoiada sobre as mãos e com as costas inclinadas, deixando o peito estufado, sussurrou aos gemidos:
— Elena... Para de me torturar... E me fode com força.
Ela queria a torturar mais, entretanto, diante ao tal pedido, como poderia negar? Acatou e foi agraciada com os mais belos e melodiosos sons que sua amada poderia lhe ofertar. O suor descia por entre os seios da professora, deixando-a ainda mais linda e sensual. Elena amava admirar a carinha de safada que Miranda fazia na cama e dessa vez não foi diferente.
Excitava-a ver a reitora lambendo os próprios lábios e mordê-los em seguida; a forma que a olhava, como se fosse a devorar por inteiro e, principalmente, os sons oníricos que ela deixar escapar de sua boca vermelha.
Elena admirou sua professora erguer o corpo e, cheia de lascívia, agarrá-la pelo pescoço e a beijar da forma mais profana que poderia imaginar. Com gemidos escapando por entre o beijo, a senhorita Soares a penetrou com todo seu tesão, ouvindo a professora proclamar seu nome em um gozo maravilhoso.
A mulher caiu por cima do ombro da jovem e a envolveu em um abraço, para, somente agora, Elena a tomar nos braços e beijá-la com amor.
Miranda a afastou e saiu de cima da mesa, vestindo-se conforme andava e pegava suas vestimentas espalhadas pelo chão.
— Droga! Não acho minha calcinha – protestou e virou de frente para a aluna, dando-se conta que a peça íntima havia sido rasgada.
Elena apenas riu.
— Qual é a graça? – Arqueou o sobrolho e cruzou os braços.
— Essa marca roxa, enorme, no seu pescoço.
Notando que ela iria reclamar, a garota a tomou nos braços e a beijou de um jeito que deixou a mais velha calminha.
— Isso é para você aprender que eu não sou seu brinquedo.
— Eu sei que não é. – Aproximou-se com um sorriso sacana nos lábios. — Quero retribuir tudo o que fez por mim, Leninha – deslizou o dedo por entre os seios da jovem e sorriu ao fita-la.
A jovem sorriu de volta e a beijou, contudo, afastou-a em seguida.
— O que foi? – perguntou atordoada com o beijo.
— Nesse corpinho aqui, você só toca quando for solteira.
Miranda não podia acreditar no que ouvia. Elena nunca havia feito isso antes.
— Mas meu casamento não vai bem e estou pensando em me divorciar – ainda tentou a convencer.
— Então, Miranda com “G”, me procure quando seu divórcio sair. – Deu as costas e começou a andar.
— Ora, sua vadia – reclamou em frustração.
— Não, meu amor, sua e somente sua. Vou estar te esperando, “profe”. Te esperar ser somente minha também – mandou um beijo no ar e mordeu o lábio logo após.
Ainda viu Miranda sorrir para ela, aquele sorriso que a deixou escrava daquela demônia em forma de pessoa e se retirou do auditório.
— É, Miranda, você está completamente fodida – disse para si mesma, observando que, daquele dia para frente, as coisas teriam de ser diferentes, ou perderia sua Elena com “E”.

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